sexta-feira, 4 de março de 2016

Náuseas.

As probabilidades são muitas de sermos muitos a querer ser poucos. São demasiados os loucos demasiado loucos a quererem ser poucos no meio de um muito pouco. Ou de quase nada.

Mágoa. Magoa quando ecoa ou só ecoa quando magoa?

Estou internado em mim próprio. Aparentemente, quis ser vadio de uma sanidade que só existe planeada. E aqui, a realidade não se acrescenta à realidade. 
Até o bafo no cigarro, é teatral. Dá-me náuseas, a chama do isqueiro. 
Dão-me um novo a cada duas semanas, mas… eu nunca quis um novo. Assim como os lençóis; trocam-mos a cada dois dias.
Trocam-me a cada dois dias. Como se as pilhas que me embalam durante a noite não aguentassem um sonho teu… ou um sonho meu.

O meu corpo é um hospício. Sinto indícios de dependência de coerência. 
Não me oiço. Perco o controlo a cada golo de rimas que dou em seco. A caneta é de ocasião e o caderno, extrínseco. Não me enchem a chávena e o número de colheres, é incorrecto. Aqui tudo tem medida, até a vida.
Também não tenho secretária. Se a tivesse, seria para te imaginar nela, debruçada a apoiar o canto esquerdo dos lábios na manga da camisola que tantas vezes, inconscientemente, agarras com os dedos.

Serei louco por parecer louco?

A cantina está cheia. Sou sempre um dos últimos a chegar e um dos primeiros a ter a comida fria. Tenho sempre lugar ao pé da janela, até hoje ainda ninguém se atreveu a sentar-se lá. Aqui o ambiente é agradável, sempre foi. Ninguém fala com ninguém e o único ruído é o dos talheres a rasparem os pratos. 
Aqui, ninguém grita.




Saber-te é muito pouco,
Para um tanto que já foi meu;
Sem caneta, sou apenas um rouco
Que ficou louco.
Que não gritou que era teu.